PALAPHITA

Sempre fui fascinado pelas texturas. Elas revelam o uso, o desgaste, as transformações das coisas. São perceções pictóricas e táteis da ação do tempo.
Quando há interferência humana neste processo de forma espontânea, as texturas ganham uma outra dimensão sensorial. É o que vemos nas ruas das nossas cidades com os graffitis e os tags. Eles transformam paredes insípidas, monocromáticas e estáticas, numa alegoria de cores e movimentos. Gostemos ou não, eles são os afrescos da era pós-moderna.
É a impessoalidade dessas interferências muitas vezes conotadas como atos de vandalismo, que acabam por conferir personalidade onde ela não existia. Baseada nesta dicotomia é que surge o meu trabalho.
Por intermédio de texturas e tags, procuro personificar em tela, pessoas reais e que admiro. Utilizo a técnica mais básica de pintura, onde os pincéis são os verdadeiros protagonistas. Tento resgatar o traço livre e impreciso, coisa cada vez mais rara nos dias de hoje, onde a espontaneidade das mãos, está a ser substituída pelo teclado.
Acredito que o trabalho artístico que desenvolvo consegue levar o conceito do face graffiti das ruas, para dentro das paredes das casas. Com uma estética simples, despretensiosa, mas original.
